Eu sou explícita. Eu exponho minhas vontades. Eu sou um livro aberto. Daquelas que quando as folhas fazem “orelha” ou sofrem arranhões, torce para que venha um vento bem forte, ou uma mão amiga e ajude a virar a página para uma nova folha com uma história mais diverdita, bonita ou excitante.Eu acho graça em sentir tudo de novo, em dar a outra face pra sentir a dor de novo. Ainda não sei medir a abertura das portas da minha intimidade…mas confesso que tenho tentando trabalhar esse parágráfo com mais atenção.
Uma peculiaridade eu reconheço, sou mestre em escancarações, grito, falo coisas feias, choro, sorrio, gargalho, apronto, provoco, quebro a cara, acerto, conquisto e depois escrevo tudo aqui. Tudo. Quase tudo. Se me calo, ou é porque doeu demais, ou porque não vale a pena ser guardado. As grandes artes eu também não conto, mas dou pistas. Eu faço fofoca de mim mesma e sei bem sabotar os meus próprios segredos.
Para aqueles que acham que o mistério é a base da sedução e do interesse, o tumblr acaba aqui. Podem clicar no X, no canto superior direito da página. Eu não sei disfarçar, não tenho intimidade com mistérios e tenho absurda preguiça de me revelar aos poucos. Meu charme é bruto demais para ser sutil.
Apesar de tudo, admiro os misteriosos. E aqui, você vai perceber que também sou contraditória, a insinuação a conta-gotas me soa afrodisíaca. Nos outros. Beijos para aos que molham as pontas dos pés e vão subindo lentamente a barra da calça para sentir a água gelada tocando em cada pedacinho da pele seca.
A pressa dos meus 24 anos, definitivamente não serve para isso. Tenho muita vontade para pouco mistério. Uma personalidade que explode a fina camada de sensualidade. Me mostro sem pensar nas conseqüências, não uso filtro fator 30 e, por isso minha pele queima. Há quem me ache intimidadora, há quem me ache calma (e para esses eu sempre sorrio com leve malícia), há os que, com certeza me achem boba, há quem ache que sou confiante.
Nada disso. Eu sempre me mostrei para que o outro soubesse onde estava entrando (e entrando no sentido mais amplo do meu livro das pequenas histórias). Me mostro hoje, para que, no futuro, meus defeitos não devorem mais ninguém. Mostro meu lado negro para que, um dia, consigam ver doçura quando eu for claridade. Ame meus defeitos. Eles são a maior (e mais constante) parte de mim. Agora sim, pode virar a página.